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Quilhas modernas e os big riders

Guilherme Pallerosi

Esta matéria faz parte de uma série sobre a história do surf que usa as quilhas como referência para falar da evolução das pranchas de surf após a década de 1930

Longe de laboratórios, engenheiros ou softwares avançados, a evolução das quilhas aconteceu de forma espontânea. Isto porque a maior parte dos surfistas construíam suas próprias pranchas e acrescentavam novidades e fazendo experiências próprias. Os modelos que deram certo foram ficando.

Robert Wilson Simmons, conhecido como Bob Simmons, usava estabilizadores semelhantes a quilhas, quando inovou construindo quilhas arredondadas para suas pranchas. Bob Simmons marcou a evolução das pranchas modernas de muitas formas, pois também foi o primeiro a misturar materiais como madeira, isopor, fibra de vidro e resina em pranchas de surf. O resultado foram pranchas hibridas, com materiais modernos e novos designs, mas essencialmente de madeira.

Simmons começou a surfar nas praias de San Diego em 1940 e suas inovações tinham um grande intuito, entrar no tubo e ficar lá por mais tempo possível. A prancha mais famosa e que resume tal evolução é a “sanduiche”, construída no finalzinho da década de 1940, feita com bordas em madeira balsa, um bloco de isopor no meio e duas tábuas de compensado fechando o conjunto (daí vem o nome), também levava uma quilha central com formato arredondado, e tudo selado com fibra de vidro e resina. As novas pranchas com quilha foram um grande avanço para os surfistas da época, e graças a elas surgiram os primeiros relatos de big riders, isto é, sujeitos que surfavam swells maiores que 10 pés durante a década de 1950.

A II Guerra Mundial ocasionou uma aceleração em termos de tecnologia, principalmente na indústria petroquímica, surgindo novos materiais como resinas, colas resistentes à água, fibra de vidro, etc. Simmons escapou da guerra por causa de um problema que teve na perna quando jovem e aproveitou a sua liberdade para viver na mais pura essência do surf. O sujeito ficou famoso por morar por muito tempo dentro de um Ford velho adaptado para ele dormir e guardas suas tralhas. Apesar do desprendimento com dinheiro e posses, Bob foi um sujeito muito dedicado, estudou a influência de marés, correntes e swell, para entender melhor as ondas e descobrir lugares bons para o surf. Infelizmente ele morreu aos 35 anos surfando um swell dos grandes. 

A morte de Simmons foi uma grande perda para o esporte, mas contribuiu não apenas para evolução das pranchas, mas para a cultura do surf.

Para mais matérias sobre história do surf e da construção de pranchas ancestrais (ancient boards) acesse o blog: http://madeiraeagua.blogspot.com/

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