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Brasil

Surf com duas quilhas e a evolução das manobras

Guilherme Pallerosi

Desde o surgimento das quilhas na década de 1930, iniciou-se uma sucessão de experiências com inúmeros desenhos variações no shape das pranchas

O surf sempre teve liberdade de criação, diferente de outros esportes elitizados ou com tradições rígidas, as mudanças faziam parte do objetivo de surfar boas ondas. As técnicas de construção das pranchas foram sendo aprimoradas e eis que surge uma inovação interessante na década de 1940: as quilhas gêmeas (twin fin)!

Durante muito tempo o surfista foi o principal construtor das suas próprias pranchas. Em garagens ou oficinas adaptadas, estes designers amadores desenvolveram quase tudo o que conhecemos hoje de pranchas e acessórios de surf. Foi neste contexto que em 1943, o lendário surfista-shapper, Tom Blake construiu o primeiro protótipo de pranchas biquilha que se tem registro na história.

Poucos anos depois, em 1948, outro surfista e shapper de pranchas inovadoras, Bob Simmons, construiu uma série limitada de pranchas com duas quilhas. Simmons se inspirou livremente na publicação da época sobre engenharia naval (Naval Architecture of Planing Hulls, de Lynsay Lord, 1946) que trazia um modelo de casco de barco com duas elevações semelhantes a quilhas. Usando o conceito das construções navais, as pranchas com duas quilhas entraram para o repertório de shapper e surfistas. O conceito das quilhas gêmeas é simples, por serem mais próximas da borda, as quilhas dão maior estabilidade para a prancha fazer curvas fechadas, permitindo facilmente a troca de bordas, sem perder velocidade.

Após a década de 1950 iniciou-se uma fazer de muito experimentalismo, como o modelo butterfly fin, do californiano Dale Velse, consistindo basicamente de duas quilhas fixadas numa mesma base. Já no início da década de 1970, Steve Lis desenvolveu uma rabeta para sua prancha de keeboard (surf de joelhos) que permitia manobras mais seguras em ondas rápidas, devido o fato de a rabeta ser duas pin tail juntas (pin tail são rabetas de pranchas bem finas, boas para ondas grandes ou muito rápidas). Estava concebida a prancha fish tail, que parecem ter sido criadas especialmente para as quilhas gêmeas. A prancha fish e as duas quilhas ficaram populares quando em 1972, Jim Blear e David Nuuhiwa pegaram 1º e 2º lugar no campeonato mundial de surf em San Diego.

As pranchas biquilhas se tornariam quase uma unanimidade para ondas de menores durante a década de 1970 e início dos anos 80, criando-se um paradigma: ondas pequenas eram para ser surfadas com duas quilhas e ondas grandes com pranchas do tipo guns monoquilha. Isto ocorreu por causa de outro lendário surfista-shapper: Mark Richards e a prancha que lhe daria quatro títulos de campeão mundial, entre 1979 e 1982 (fato inédito até Kelly Slater). Como Richards diria, as biquilhas dão muito mais liberdade ao surfista, permitindo-o “bombardear” a onda com manobras. Mas como nada é para sempre, vieram as Thruster, com 3 quilhas, e as quadfin, com quatro. Mas isto é história para outro dia.

Para mais matérias sobre história do surf e da construção de pranchas ancestrais (ancient boards) acesse o blog: http://madeiraeagua.blogspot.com/

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